Changes in the way
Vou contar uma história pra vocês. A história de duas meninas que são amigas desde a sétima série. São completamente diferentes, estilos diferentes, gênios diferentes, mas hoje são melhores amigas. Elas contam muito uma com a outra, e inclusive escrevem uma ficção juntas. Elas são muito talentosas e tem o mesmo sonho; serem reconhecidas por uma coisas que adoram fazer: escrever. Uma escreve uma coisa completamente diferente da outra e quando juntam tudo dá uma coisa magnífica. Elas estão acreditando em si mesmas, agora. Elas estão escrevendo um livro, pra valer, e não podem mais postar nada na internet, se não nunca serão reconhecidas pelas editoras ou livrarias, nunca venderiam nada. Pra quem lê a ficção, minhas sinceras desculpas. Estamos investimos num sonho, e espero que consigamos realizar. Obrigada.
Só pra vocês terem idéia de como estão andando as coisas.

Era o primeiro dia de aula e como já esperado eu estava uma verdadeira pilha de nervos. Minha vontade era de me esconder embaixo da cama e fugir de todas as minhas obrigações como fazia na sexta série e no outro dia todo mundo esqueceria por que eu só tinha onze anos. Mas que droga, agora não daria mais.

- Oita horas, mocinha. Pode ir levantando! – Sarah gritou abrindo a porta fazendo-a bater na parede.

- Caramba, não grita. – Resmunguei, socando o travesseiro no meu rosto. – Não pode ser hoje, não faça isso comigo meu Deus.

- Acorda!
- Mãe, eu não falo dormindo, não sei você. – Virei com a barriga pra cima na cama, abrindo um olho só, me espreguiçando.

- Você é incomparável, não dá um tempo com as piadas nem quando acaba de acordar. Incrível. – Falou com um ar debochante, indo até mim. Puxou meu cobertor, enrolando-o na própria mão. Jogou-o de volta na cama, puxando minha perna.
- Dá um tempo, vai?
- Não.
- Cinco minutos?
- Dois minutos. Vou arrumar a papelada no escritório pra levar para o trabalho, quando voltar quero vê-la se arrumando. Ouviu? Sem mais.
- Tudo bem, mãe.
- Oito e quarenta eu saio daqui. Eu tenho reunião, Clar. Você sabe.
- Sei, mãe.
- Não se atrase. Hoje ta bem frio, leve dois casacos.
- Ta bem.
- Olhe a hora, hein. – Saiu do meu quarto deixando a porta aberta.
- Feche a porta! – Gritei, esperando-a que ouvisse. Ela nunca ouve. Sempre pensei que minha mãe tivesse problema de audição, sério.
         Levantei num pulo amarrando meu cabelo como rabo de cavalo com a liga que estava na cabeceira do lado da minha cama. Coloquei as pantufas indo até a varanda. Como esperado: Estava frio e chuvoso lá fora, como sempre em Portland. Um dia tortuoso para ir ao primeiro dia de aula. Peguei o controle do aquecedor em cima da mesinha do computador, aumentando um pouco a temperatura. Fui até a porta do banheiro, o qual era do lado da porta do meu quarto. Chutei a porta do meu quarto de longe, entrando no banheiro. Lavei o rosto, dando uma olhada em mim pelo espelho.
- Não pode ser. – Pensei. – Vou ter que esconder isso, não pode ser. – Arregalei os olhos, falando em voz baixa.
         Corri até o interfone, dando uma espiada no relógio. Oito e cinco.
- Marinna, está ouvindo? – Falei no interfone, ao lado da cama.
- Sim senhora.
- Senhora é sua mãe. – Ri, revirando os olhos.
- Sim, dona Claricie. – Ela riu baixo, desfarçando.
- Ainda tem aquele bolo de fubá com chocolate de ontem de noite?
- Tem sim, senhora.
- Trás aqui no quarto com chocolate quente e uma maçã?
- Levo sim.
- Valeu… Ah, e eu vou estar no banho. Você pode entrar, não precisa bater. Deixa na mesinha do computador que eu me viro por aqui.
- Tudo bem.
- Falou. – Desliquei o interfone, correndo para o banheiro.
         Tomei um banho rápido e bem quente, o que me fez acordar mais um pouco. Coloquei uma toalha no cabelo e outra no corpo, amarrando-a acima dos seios. Passei base e pó no rosto na tentativa de esconder as olheiras, mas não consegui completamente, o que me deixou furiosa. Odiava ficar com olheiras, eu ficava parecendo um urso panda, literalmente. O Andrew ria muito de mim quando eu acordava com olheiras.
         Ri, lembrando disso, enquanto me olhava ao espelho.

Oi, eu de novo...
eu li sua história desde o começo, e confesso que to apaixonada... adorei muitooooo sua história e to doida pra ler mais kkkk... (aposto que a Clar tem uma quedinha pelo André) kkk bjsss amei...

ahhh kkkkk, veremos. Tô sem computador por enquanto, mas eu tô escrevendo. Pretendo postar tudo de uma vez, quando for postar eu te aviso na ask. Valeu, beijo.

Activated again.
Oi, bem interessante seu tumblr... você que faz essa, ahn fic, (posso chamar assim?) achei bem legal, queria ler desde o começo, se você puder me mandar o link eu agradeço... bjsss, gostei...

Hey, what up. Tudo bem, mando pra sua ask. Beijão.

- Caraca.
- O quê?
- Estou animada com essas coisas de compras. É meio raro eu sair com minha mãe pra fazer compras. – Eu ri.
- Estou caraca também!
- Mãe… Esquece! – Ignorei totalmente, completamente surpresa com o que havia ouvido.
- O que foi? Cometi alguma gafe?
- Uma gigante.
- Ai que horror, assim você me assusta. Sou pior do que pensava.
- Pois é dona Sara, você a cada dia me surpreende mais. – Ri, me concentrando na rua por onde eu estava andando. – Mas relaxa, só não repete isso na frente dos outros, por favor. Seja você que é o melhor que você faz. – Dei um sorriso sínico para encerrar o assunto. Parei o carro bruscamente. - Você esqueceu que eu não sei andar por aqui? Ou será que vamos ficar andando em círculos?
- Em círculos seria ótimo.
- É, ótimo. Até eu vomitar em você.
- Você pega a direita, segue reto e entra à esquerda no último sinal. – Disse rapidamente, assustando-se com o que havia falado.
- Boa garota. – Ignorei sua reação para parecer que eu realmente havia falado sério, o que não é verdade. Pisei fundo no acelerador, fazendo tudo o que Sara havia recomendado.
- Quero sair viva desse carro!
- Ai, dramática. Não agüenta nem oitenta quilômetros por hora, imagine se

 

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fizesse o que eu faço. – Sara arregalou os olhos, e parecia estar com toda a curiosidade do mundo neles.
- E o que você faz? – Falou rápido, quase gritando.
- Você vai ver, calma. Não é nada que possa me matar… – Eu ri, vendo que a deixei segura com essas palavras. Mas não era isso o que eu queria, era exatamente o contrário. – Eu acho. – Falei erguendo uma sobrancelha, agora sim conseguindo o que queria. Deixá-la apavorada, ou apenas causar um suspense, o que era a minha especialidade. Não tirei os olhos da rua, me lembrando de cada passo que ela me mandou seguir.
   Agora estávamos em um sinal que acabara de abrir. Dobrei o carro à esquerda, bruscamente e com rapidez, pisando fundo no acelerador, apenas para deixá-la literalmente com medo. E consegui. Sou ótima nisso.
- Como assim “EU ACHO”? Está fazendo algum tipo de brincadeira comigo? Quer me deixar louca? Conseguiu!
   Comecei a rir sem conseguir parar. Parei o carro numa esquina apenas para olhar a sua reação e explicar tudo com calma.
- É, eu vi que consegui. – Olhei com atenção sua reação, e ri sem parar. Sara suspirou aliviada, percebendo que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto.
- Não gostei, viu? Isso é muito chato. Se eu tivesse problema no coração?
- Modo drama online.
- Ãn?
- Ai meu pai, não vou ter paciência com isso…
- Mas, Clar, você faz algum esporte filha? Fiquei preocupada agora.
- Eu surfo um pouco mas não rola por aqui. Esse tempo mata qualquer um. Isso é uma das poucas coisas que não gosto em Portland. O clima é sempre frio, e tá sempre chovendo. A temperatura é insuportável. Atlanta não tem praias, mas eu tinha aulas e tal. Queria ir em outras cidades competir e conhecer o mar.

Desci as escadas correndo, andei pelo corredor até chegar ao meu quarto, abri a porta, entrei e empurrei com o pé para fechar. Deixei o notebook em cima da escrivaninha, Sentei na cama, tirando as pantufas e as deixei por ali. Levantei num segundo tirando meu casaco e coloquei no cabide já que a porta do guarda-roupa estava entreaberta. Tomei um banho rápido e me arrumei em vinte minutos. Agora estava vestida de seguinte forma: Calça jeans clara, botas de cano longo marrons até o joelho, blusa de manga longa completamente branca com a gola até o pescoço. E por último um moletom bege com dois bolsos na frente, sem detalhes e capuz. Meus cabelos loiros soltos ondulados até a cintura sem nenhum tipo de acessório. Abri o guarda-roupa, procurando acessórios para vestir. Achei um par de argolas prateadas lindas. Tirei meus brincos pequenos, coloquei ali por cima e coloquei as argolas. Achei também uma caixa grande, peguei-a e sentei na cama. Era uma caixa com uns quites de maquiagem enormes, com tudo que tem direito. O que sinceramente eu nunca vi, nem mesmo usei. Abri cada coisa com curiosidade espalhando tudo por cima da cama. Peguei uma maquiagem e a abri. 20 Coloquei pó, blush e um brilho sem cor já que eu tinha que aprender primeiro à usar o resto das dezenas de coisas que tinha ali. Guardei tudo num minuto. Peguei uma caixinha pequena também com curiosidade enquanto colocava a caixa de maquiagens lá dentro. Sentei na cama outra vez, e abri-a Tinha um relógio branco refinado. Nunca tinha usado nada naquele tipo também. Isso começara a me perturbar. Estava preocupada se teria que aprender a ser do jeito que Sara quisesse para aparecer na frente dos seus amigos ou colegas de trabalho. Usando todas aquelas coisas, maquiagens, acessórios… Mudar meu jeito de me vestir, deixar de ser simples. Aprender a andar de salto alto ou coisas desse tipo. Mas mandara para longe esse pensamento agora, já que acabara de chegar ia sobrar muito tempo pra conversarmos sobre isso. Pus o relógio em segundos, guardando a caixinha dentro do guarda-roupa, fechando a porta. Olhei a hora no relógio da escrivaninha, para concertar a do meu novo. Eram 19:48h. Me olhei no espelho que tinha ao lado da cama, vendo se tinha alguma coisa de errado, passei uns dois minutos lá me arrumando. Dei a volta na cama, indo para o lado do guarda-roupa. Abri a outra porta, procurando uma bolsa que combinasse com o visual. Achei uma bolsa grande bege, da cor do moletom.
- Não, muito grande pra eu levar só o celular. Quer saber? Não vou levar bolsa. – Falei em tom baixo para mim mesma, fechando a porta do guarda-roupa. Olhei-me no espelho mais uma vez e conferi a hora no relógio de pulso. Eram 19:54h agora. Corri até o quarto de Sara para saber o que achara sobre o que eu estava vestindo, e como eu estava. Abri a porta devagar, sem que ela percebesse. Estava com uma calça jeans preta justa e um sobretudo bege mais escuro. Estava sentada na cama de frente para o espelho enorme que tinha na sua parede, calçando um par de sapatos altos bege. O que não tinha percebido ainda é que estava no celular enquanto os calçava.
- Não Richard, ainda não. Deixa eu me acostumar com a idéia antes. É tudo muito novo pra mim. Eu estou feliz, quando eu conhecê-la mais, eu te apresento, eu prometo. Eu sei, eu sei. Eu já entendi que você está ansioso. Claro que não, não vou escondê-lo por muito tempo. – Interrompeu a conversa, desligando o celular no mesmo minuto em que me vira na porta, pelo espelho. Virou para mim, no mesmo segundo. – Como está linda, filha! Sabia que essa calça ia ficar linda em você.
- Esconder o quê? – Mudei de assunto, sem nenhum interesse agora no que ela achara sobre minha calça.
- O que?
- No telefone. Eu ouvi sem querer… você dizia que não ia esconder para o tal Richard por muito tempo.
- Ah, claro! – Levantou da cama. – O slogan que estamos fazendo de uma empresa. Está todo mundo ansioso por ele. Mas na hora certa, quando estiver pronto vai ser mostrado… Por que o interesse?
- Ah tá… Nada. É que passou pela minha cabeça que… Ah esquece, coisa da minha cabeça mesmo. – Balancei a cabeça olhando pra baixo, negando totalmente o que pensava.
- OK. Está pronta? – Mudou de assunto no mesmo segundo.
- Estou, não pareço?
- Claro que não. Está linda.
- Não levo muito jeito pra isso.
- Mas vai levar. Você tem que ter puxado a mim. – Ela riu, brincando.
- Espero. – Ri junto, indo até a porta. – Vou esperar lá em baixo.
- Não, espera. Só vou pegar a bolsa e saio junto. – Se olhou no espelho mais uma vez, reparando na maquiagem.
- Vai me ensinar a me pintar também, assim? – Ri, esperando-a na porta.
- Assim que quiser. – Olhou para mim pelo espelho, sorrindo. Pegou a bolsa em cima da cama, rodeou-a, desligou a luz e o aquecedor, saindo pela porta, trancando-a. Colocou a chave dentro da bolsa. – Está com a chave do carro aí? – Falou da ponta da escada, enquanto descia o primeiro degrau.
- Ai, não! Espera. – Desci as escadas correndo, entrei no meu quarto e peguei a chave por cima da cama, onde havia deixado. Saí do quarto encontrando-a na porta.
- Pronto?
- Pronto, vamos. Descemos as escadas até a sala juntas, saindo pela porta que dava para a garagem. Destravei o carro e entrei. Logo em seguida Sara entrou. Colocamos o cinto de segurança e saímos dali.

Tomei mais um gole do chocolate, ligando o computador.- O que vai fazer?- Vou ver se o André está online aqui, ou pelo menos me mandou algum e-mail. Se ele estiver eu falo com meus tios. Ele não larga esse computador quando está em casa, sabe? – Ri, olhando para a tela do computador, lembrando de tudo. – Ele não me deu notícias até agora, eu não entendo o porquê. Ele me prometeu que ligaria.- Você gosta muito dele desde nova, não é querida?- É sim. Ele é um irmão que nunca tive. Você sabe, todos sabem disso. - Abri o meu e-mail, torcendo para que tivesse uma mensagem do André ali, e realmente tinha. Então cliquei até abrir, ansiosa
 
 
Também sinto sua falta, sabia que se não ligasse você viria aqui. Estou tentando me acostumar com tudo isso sem você, mal passou um dia e sua falta é imensa aqui dentro dessa casa. Prometo que assim que me formar vou te visitar e passar uns dias aí, está bem? Claro, se sua mãe deixar, aproveite e fale com ela sobre. É… eu não liguei por que eu perdi a porcaria do carregador de novo, acredita? Deve estar nas minhas bagunças. Pensou nisso, não é? Sei que pensou. A mãe e o pai ainda não chegaram do trabalho, assim que puder vamos manter contato. Sabe aquele simulado que eu estava ansioso para fazer? Pois é, ganhei uma nota azul! Acredita? Eu passei em química, nem eu posso acreditar ainda. Bom, é isso que tenho a dizer, estou tentado me acostumar sem você, mesmo sendo tão difícil. Difícil é pouco para expressar. Se cuida, vou te mandar um e-mail todos os dias. Entra de noite para falar comigo, vou estar sempre te esperando. Esperando em todos os sentidos possíveis. Eu te amo Clar!
            André.
- Eu sabia! – Deixei uma lágrima cair, enquanto fechava o notebook.- O que diz aí? – Sara se aproximou, curiosa.- Ele mandou um recado! – Não conseguia parar de rir.- Que recado? Deixa eu ler, vai.- Olha só, se saiu uma curiosa de primeira categoria. – Ri, fechando o notebook em quanto ela se inclinava para ler. – Depois te mostro. Mas… eu não entendi o final, ele sempre me deixa confusa. – Cruzo as pernas tentando lembrar cada detalhe das palavras que ele me dissera.- O que foi que ele te disse? Fala, Clar! Vai me matar de curiosidade, filha.- Alguma coisa do tipo… Vou te esperar em todos os sentidos possíveis. – Sara deu um pulo na cama, saltitando. Me assustei obviamente, ela já está ficando boa nisso. – O quê?- Ele está apaixonado por você! Tonta, não percebeu? E não duvido nada que a muito tempo. Parece ter história tudo isso, claro! “Vou te esperar em todos os sentidos possíveis” hmmm. Jura pra mim que nunca percebeu! Você anda com a cabeça onde, na lua?- Tonta? – Eu ri, debochando. – Ah mãe a boba na história agora é você. Somos como irmãos. Como um irmão se apaixona pela irmã? Está louca? 
 
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Não sei de onde tirou isso. Ele sempre foi muito carinhoso comigo, foi meu colo sempre que precisei. Nosso sentimento nunca passa nem nunca passará de irmandade. É… no máximo irmandade que nasceu a um tempo atrás.- O.K, O.K! Já entendi, não fique assim.- É porque… – Sacudi a cabeça.- Tá bem, não vou mais falar disso. Não é isso?- Exatamente, senhora vidente. – Sara fez uma cara de segundas intenções para mim, mostrando que não fui o convincente o bastante para fazer mudá-la de idéia. - Ah não enche, vai. – Sara olhou em volta, tentando disfarçar o máximo possível que não tinha entendido nem ao menos uma palavra de minha última frase. Eu tentei disfarçar também, mudando de assunto ou algo do tipo, mas não deu. Então isso quer dizer que, minha tentativa de esconder o quanto achava ela desatualizada ou careta, literalmente falhou. Segurei tanto, mas tanto o riso, que acabei demonstrando. – Não se constranja, sério. Fiz o que pude. – Acabei rindo no final depois de tanto esforço à toa. - Não estou. - Ela balançou a cabeça. – Não está sendo tão difícil acostumar.- Sou parecida com você nesse ponto.- O quê?- Não conseguir mentir direito. – Falei, zombando.- E perceber quando as pessoas mentem. – Ela continua o que falei, rindo. - Ah claro, como pude esquecer disso? – Zombei. – Mãe… e a escola? Não íamos resolver isso agora a noite?- Depois do jantar pego o notebook e te mostro umas escolas de ensino médio que pesquisei.- Pesquisou enquanto eu não estava aqui? – Falei, surpresa.- Eu te falei que sou ansiosa… Você não levou a sério, ora. - Posso assistir “House”? – Mudando completamente de assunto.- Pode. – Ela riu. – Bem aí o controle. – Apontou para a mesinha onde estava a xícara de chocolate.            Peguei o controle da TV, mudando os canais até achar o que eu queria. – Quantos canais tem aqui? – Falei, surpresa.- Sei lá. – Ela riu. – sessenta, sessenta e cinco?- Vem perguntar a mim?- É, sessenta e cinco.- Jesus.- Sara.- O quê?- Meu nome é Sara, não Jesus.- Nossa que engraçado mãe. – Ri, batendo em seu ombro de leve, debochando.- Achou mesmo? – Falou, num tom irônico, rindo junto comigo.- Não. – Eu ri.- Chata, em?- Realista. – Corrigi, rindo. Lhe dei um abraço forte como desculpas pela brincadeira mesmo sabendo que ela havia entendido. Ela me abraçou 
 
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também então suspirei aliviada. – Parecem meses longe deles. – Sussurrei, olhando para baixo.- O quê?- Esquece.- Fala agora.- Eu… tá. Faz só um dia, e eu já estou morrendo.- Eu sei como é, eu sei bem como é. Quando eu fui embora, eu… - Por favor me poupe, por favor. – Olhei para ela, interrompendo. Parecia suplicar por nenhuma explicação.- Desculpa. – Gaguejou.- Tudo bem, não toque nesse assunto. – Fiquei sem reação. Isso não estava nos meus planos agora. Ficar relembrando isso pra quê? Eu não quero lembrar… Nem preciso lembrar. Sabe o que eu queria agora? Fugir parece ser uma boa. – Tá tudo ótimo, não é? – Balancei a cabeça que sim. – Não estrague.- Eu…- Tá tudo bem, tudo bem, eu desculpo. Por favor… A escola. – Me levantei em um segundo pegando o notebook da cabeceira de Sara do lado dela. Sentei de frente para ela, pulando na cama. Balancei a cabeça de um lado para o outro como se o que estava pensando poderia sair pelo ouvido ou sei lá, esvaziar de uma vez minha mente. Mas, droga, era irrelevante.             Sorri sendo o mais falsa possível, mesmo sabendo que ela jamais cairia nisso mas dane-se. Coloquei o computador em seu colo, virando-o para ela. - Vamos ver então.- Vamos, venha cá. – Bateu na cama do seu lado, e balançou a cabeça. Ligou o computador, pôs uma senha e em um minuto estava tudo pronto.  – Vem logo, fica melhor de ver, quero sua opinião.- Tá, tá. – Sentei do seu lado, ajeitando o travesseiro nas minhas costas.- Bom, vamos começar. Pesquisei uma.- Qual?- Na verdade, foram os filhos da Steph que me recomendaram. Eles estudam lá. Fazem o segundo ano. Talvez estudem juntos, olha só.- Quem?- Os gêmeos. David e Max. Eles têm 17.- 17…- Anos, claro. - Ah.- É. Então… Portland High School é o nome.- Parece legal. Tem falando sobre aí?- Claro, eu pesquisei, lembra? – Passou o notebook para o meu colo. – Leia.            Li cada detalhe, e a cada segundo que passava eu estava mais surpresa. Estava me sentindo um peixe fora d’água. Me sentiria mais ainda se fosse estudar numa escola daquelas.- Não, não.- O que foi? Eu achei ótima… O que há?- É demais para mim, é a melhor de Portland mãe.
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- É sim.- Não vou me adaptar. Hã-hã, nem pensar, pode esquecer.- Pode esquecer você. Ah vai filha, o que aconteceu? Por que isso?- É muito chique, só vai ter gente rica, gente refinada, e tudo mais. Na hora vão perceber que eu não sou tão chique assim, sabe? Quando perguntar de onde eu vim? Onde eu morava, onde eu estudava? Mãe, eu sou…- Você é a melhor filha e merece o melhor de tudo inclusive a melhor escola da cidade e é lá que você vai estudar. E quanto a roupas, aparência… Eu tive uma idéia, não se preocupe.- Tem certeza?- Tenho.- Tudo bem, mas eu vou pensar direito. Amanhã falamos disso de novo, tá? Amanhã eu dou uma resposta certa.- Começa daqui a uma semana.- Eu sei.- Sabe?- Eu li a data.- Ah é. – Ela riu. – Tenho andado com a cabeça cheia.- Percebi.- Voltando ao assunto…- Certo dona Sara. Que idéia é essa?- O.K. Seu carro novo, cartão de crédito, shopping.- Mentira. – Arregalei os olhos, abrindo um sorriso estampado.- Verdade. Vai se arrumar, ás vinte horas em ponto saímos, nada de atrasos.
- Obrigada, melhor mãe do mundo! – Ri, beijando seu rosto, levantando da cama em um pulo. Peguei meu notebook, coloquei as pantufas e corri até a porta, saindo.

Tomei mais um gole do chocolate, ligando o computador.
- O que vai fazer?
- Vou ver se o André está online aqui, ou pelo menos me mandou algum e-mail. Se ele estiver eu falo com meus tios. Ele não larga esse computador quando está em casa, sabe? – Ri, olhando para a tela do computador, lembrando de tudo. – Ele não me deu notícias até agora, eu não entendo o porquê. Ele me prometeu que ligaria.
- Você gosta muito dele desde nova, não é querida?
- É sim. Ele é um irmão que nunca tive. Você sabe, todos sabem disso. - Abri o meu e-mail, torcendo para que tivesse uma mensagem do André ali, e realmente tinha. Então cliquei até abrir, ansiosa

 

 

Também sinto sua falta, sabia que se não ligasse você viria aqui. Estou tentando me acostumar com tudo isso sem você, mal passou um dia e sua falta é imensa aqui dentro dessa casa. Prometo que assim que me formar vou te visitar e passar uns dias aí, está bem? Claro, se sua mãe deixar, aproveite e fale com ela sobre. É… eu não liguei por que eu perdi a porcaria do carregador de novo, acredita? Deve estar nas minhas bagunças. Pensou nisso, não é? Sei que pensou. A mãe e o pai ainda não chegaram do trabalho, assim que puder vamos manter contato. Sabe aquele simulado que eu estava ansioso para fazer? Pois é, ganhei uma nota azul! Acredita? Eu passei em química, nem eu posso acreditar ainda. Bom, é isso que tenho a dizer, estou tentado me acostumar sem você, mesmo sendo tão difícil. Difícil é pouco para expressar. Se cuida, vou te mandar um e-mail todos os dias. Entra de noite para falar comigo, vou estar sempre te esperando. Esperando em todos os sentidos possíveis. Eu te amo Clar!

            André.


- Eu sabia! – Deixei uma lágrima cair, enquanto fechava o notebook.
- O que diz aí? – Sara se aproximou, curiosa.
- Ele mandou um recado! – Não conseguia parar de rir.
- Que recado? Deixa eu ler, vai.
- Olha só, se saiu uma curiosa de primeira categoria. – Ri, fechando o notebook em quanto ela se inclinava para ler. – Depois te mostro. Mas… eu não entendi o final, ele sempre me deixa confusa. – Cruzo as pernas tentando lembrar cada detalhe das palavras que ele me dissera.
- O que foi que ele te disse? Fala, Clar! Vai me matar de curiosidade, filha.
- Alguma coisa do tipo… Vou te esperar em todos os sentidos possíveis. – Sara deu um pulo na cama, saltitando. Me assustei obviamente, ela já está ficando boa nisso. – O quê?
- Ele está apaixonado por você! Tonta, não percebeu? E não duvido nada que a muito tempo. Parece ter história tudo isso, claro! “Vou te esperar em todos os sentidos possíveis” hmmm. Jura pra mim que nunca percebeu! Você anda com a cabeça onde, na lua?
- Tonta? – Eu ri, debochando. – Ah mãe a boba na história agora é você. Somos como irmãos. Como um irmão se apaixona pela irmã? Está louca?

 

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Não sei de onde tirou isso. Ele sempre foi muito carinhoso comigo, foi meu colo sempre que precisei. Nosso sentimento nunca passa nem nunca passará de irmandade. É… no máximo irmandade que nasceu a um tempo atrás.
- O.K, O.K! Já entendi, não fique assim.
- É porque… – Sacudi a cabeça.
- Tá bem, não vou mais falar disso. Não é isso?
- Exatamente, senhora vidente. – Sara fez uma cara de segundas intenções para mim, mostrando que não fui o convincente o bastante para fazer mudá-la de idéia. - Ah não enche, vai. – Sara olhou em volta, tentando disfarçar o máximo possível que não tinha entendido nem ao menos uma palavra de minha última frase. Eu tentei disfarçar também, mudando de assunto ou algo do tipo, mas não deu. Então isso quer dizer que, minha tentativa de esconder o quanto achava ela desatualizada ou careta, literalmente falhou. Segurei tanto, mas tanto o riso, que acabei demonstrando. – Não se constranja, sério. Fiz o que pude. – Acabei rindo no final depois de tanto esforço à toa.
- Não estou. - Ela balançou a cabeça. – Não está sendo tão difícil acostumar.
- Sou parecida com você nesse ponto.
- O quê?
- Não conseguir mentir direito. – Falei, zombando.
- E perceber quando as pessoas mentem. – Ela continua o que falei, rindo.
- Ah claro, como pude esquecer disso? – Zombei. – Mãe… e a escola? Não íamos resolver isso agora a noite?
- Depois do jantar pego o notebook e te mostro umas escolas de ensino médio que pesquisei.
- Pesquisou enquanto eu não estava aqui? – Falei, surpresa.
- Eu te falei que sou ansiosa… Você não levou a sério, ora.
- Posso assistir “House”? – Mudando completamente de assunto.
- Pode. – Ela riu. – Bem aí o controle. – Apontou para a mesinha onde estava a xícara de chocolate.
            Peguei o controle da TV, mudando os canais até achar o que eu queria. – Quantos canais tem aqui? – Falei, surpresa.
- Sei lá. – Ela riu. – sessenta, sessenta e cinco?
- Vem perguntar a mim?
- É, sessenta e cinco.
- Jesus.
- Sara.
- O quê?
- Meu nome é Sara, não Jesus.
- Nossa que engraçado mãe. – Ri, batendo em seu ombro de leve, debochando.
- Achou mesmo? – Falou, num tom irônico, rindo junto comigo.
- Não. – Eu ri.
- Chata, em?
- Realista. – Corrigi, rindo. Lhe dei um abraço forte como desculpas pela brincadeira mesmo sabendo que ela havia entendido. Ela me abraçou

 

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também então suspirei aliviada. – Parecem meses longe deles. – Sussurrei, olhando para baixo.
- O quê?
- Esquece.
- Fala agora.
- Eu… tá. Faz só um dia, e eu já estou morrendo.
- Eu sei como é, eu sei bem como é. Quando eu fui embora, eu…
- Por favor me poupe, por favor. – Olhei para ela, interrompendo. Parecia suplicar por nenhuma explicação.
- Desculpa. – Gaguejou.
- Tudo bem, não toque nesse assunto. – Fiquei sem reação. Isso não estava nos meus planos agora. Ficar relembrando isso pra quê? Eu não quero lembrar… Nem preciso lembrar. Sabe o que eu queria agora? Fugir parece ser uma boa. – Tá tudo ótimo, não é? – Balancei a cabeça que sim. – Não estrague.
- Eu…
- Tá tudo bem, tudo bem, eu desculpo. Por favor… A escola. – Me levantei em um segundo pegando o notebook da cabeceira de Sara do lado dela. Sentei de frente para ela, pulando na cama. Balancei a cabeça de um lado para o outro como se o que estava pensando poderia sair pelo ouvido ou sei lá, esvaziar de uma vez minha mente. Mas, droga, era irrelevante.
            Sorri sendo o mais falsa possível, mesmo sabendo que ela jamais cairia nisso mas dane-se. Coloquei o computador em seu colo, virando-o para ela.
- Vamos ver então.
- Vamos, venha cá. – Bateu na cama do seu lado, e balançou a cabeça. Ligou o computador, pôs uma senha e em um minuto estava tudo pronto.  – Vem logo, fica melhor de ver, quero sua opinião.
- Tá, tá. – Sentei do seu lado, ajeitando o travesseiro nas minhas costas.
- Bom, vamos começar. Pesquisei uma.
- Qual?
- Na verdade, foram os filhos da Steph que me recomendaram. Eles estudam lá. Fazem o segundo ano. Talvez estudem juntos, olha só.
- Quem?
- Os gêmeos. David e Max. Eles têm 17.
- 17…
- Anos, claro.
- Ah.
- É. Então… Portland High School é o nome.
- Parece legal. Tem falando sobre aí?
- Claro, eu pesquisei, lembra? – Passou o notebook para o meu colo. – Leia.
            Li cada detalhe, e a cada segundo que passava eu estava mais surpresa. Estava me sentindo um peixe fora d’água. Me sentiria mais ainda se fosse estudar numa escola daquelas.
- Não, não.
- O que foi? Eu achei ótima… O que há?
- É demais para mim, é a melhor de Portland mãe.

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- É sim.
- Não vou me adaptar. Hã-hã, nem pensar, pode esquecer.
- Pode esquecer você. Ah vai filha, o que aconteceu? Por que isso?
- É muito chique, só vai ter gente rica, gente refinada, e tudo mais. Na hora vão perceber que eu não sou tão chique assim, sabe? Quando perguntar de onde eu vim? Onde eu morava, onde eu estudava? Mãe, eu sou…
- Você é a melhor filha e merece o melhor de tudo inclusive a melhor escola da cidade e é lá que você vai estudar. E quanto a roupas, aparência… Eu tive uma idéia, não se preocupe.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tudo bem, mas eu vou pensar direito. Amanhã falamos disso de novo, tá? Amanhã eu dou uma resposta certa.
- Começa daqui a uma semana.
- Eu sei.
- Sabe?
- Eu li a data.
- Ah é. – Ela riu. – Tenho andado com a cabeça cheia.
- Percebi.
- Voltando ao assunto…
- Certo dona Sara. Que idéia é essa?
- O.K. Seu carro novo, cartão de crédito, shopping.
- Mentira. – Arregalei os olhos, abrindo um sorriso estampado.
- Verdade. Vai se arrumar, ás vinte horas em ponto saímos, nada de atrasos.

- Obrigada, melhor mãe do mundo! – Ri, beijando seu rosto, levantando da cama em um pulo. Peguei meu notebook, coloquei as pantufas e corri até a porta, saindo.

- Sim, queria aproveitar um pouco. Algum problema mãe?- Não, nenhum. Querida nós temos que falar de onde vai estudar. Próxima semana já começa as aulas em muitos colégios de Ensino Médio.- Ah é verdade, qualquer um com ensino bom já está ótimo pra mim mãe, é sério. Não quero que gaste comigo.- Eu faço questão de gastar com você o máximo que puder quando isso inclui sua educação e seus estudos. Você sabe que tenho boas condições, posso e quero sustentar você para o que precisar a partir de agora, não se preocupe em relação ao dinheiro. Não se preocupe em me pedir nada, precisando estarei aqui. Sou sua mãe, lembra?
- É eu sei, mas me sinto mal em dar despesas as pessoas, juro. Não quero te dar trabalho.- Não vai dar trabalho nenhum, não é incomodo. Acredite filha. Troque essa roupa e suba para meu quarto, quero te mostrar uns álbuns de quando criança. E, claro, falar sobre qual colégio de Portland quer estudar. Tendo um bom ensino, se preciso pago o mais caro para você, e ponto final. Está resolvido, senhorita. – Subiu para seu quarto no segundo andar, me deixando na porta do meu. Entrei no quarto, sentei na cama, tirando os sapatos. Abri a bolsa que estava em meu colo, e olhei o celular. Troquei sua bateria, e liguei-o. Nenhuma ligação. Não entendia como eles não tinham ainda ligado para mim. Estava tão preocupada com eles, já morrendo de saudades, e não parecia recíproco. Mas talvez seja só uma impressão. Talvez o celular do André descarregou, ou estejam ocupados com alguma coisa, mas já estava realmente preocupada. Precisava ouvir aquela voz de novo para ficar em paz. Troquei de roupa em poucos minutos. Joguei o celular em cima da mesa da escrivaninha, me olhei no espelho ao lado, amarrando meu cabelo com uma liga. Coloquei uma blusa branca, e uma calça folgada cinza. E por fim peguei um dos lindos casacos que tinham no armário, e coloquei o mais simples. Abri o outro compartimento do guarda-roupa onde guardava meus novos sapatos, fiquei surpresa em ver tantos. Peguei uma pantufa de coelhinho, a coisa mais linda, e a coloquei. Tirei os brincos grandes em forma de “O” que estava usando, e os guardei na caixinha dentro do guarda-roupa. Corri para a varanda, vendo a chuva cair e então voltei para o quarto e fechei a porta junto com as cortinas. Saí do quarto, fechando a porta. Subi para o segundo andar, onde minha mãe ia estar me esperando. Bati na porta do seu quarto umas duas vezes, e então abriu.- Esse é seu quarto?- Acho que sim.- Não acredito. Na casa da tia Solie dava uns quatro quartos só um desses. – Ri, observando cada detalhe. - E essa TV? Parece um telão de cinema! – Exagerei um pouco, olhando tudo com atenção. Sara riu, sentando na cama.- Quer café, ou chocolate quente?- Chocolate quente caia bem.- O.K. – Pegou o telefone que estava grudado na parede ao seu lado, na 
cama, e clicou em algum número. Estava meio confusa esperando o que ela    
 
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iria fazer. Talvez, pedir chocolate quente para a padaria daqui da frente? Ri em pensar isso. Se estivesse na casa dos meus tios, seria o máximo que fariamos. Sentei do lado dela na cama, me acomodando um pouco, vi os álbuns espalhados pela cama e abri um. Comecei a olhar as fotos e as lembranças vinham a minha mente todo o momento, eram fotos que eu não lembrava de jeito nenhum que elas nem se quer existiam. Mas era um sentimento bom… Muito bom. – Marina? Traz um chocolate quente para a Clar, por favor? Ela está aqui no meu quarto. Igualzinho ao que você faz para mim, O.K? Não demora. – Desligou o telefone e virou para meu lado, e me viu olhando aquelas fotos, viu minha expressão. - Nem se quer me esperou para vermos juntas, não é mocinha?- Ah, desculpe mãe, foi muito tentador. Muito mesmo. – Inventei a primeira desculpa que veio à minha cabeça. Não queria que minha própria mãe pensasse que sou penetra, nem muito menos folgada.- Tudo bem, no seu caso não resistiria também. Olhe, essa foto aí você tinha dois anos e meio. Foi na fazenda do seu bisavô Martin, ele já estava muito idoso. Tinha para lá de oitenta anos. Se não me engano, tem uma foto sua com ele ainda nesse álbum.- Ele já faleceu?- Acho que sim, perdemos o contato. Ele era muito teimoso, queria tanto sair de casa que conseguiu. Queria conhecer o sul da Flórida antes de morrer, e conseguiu. Chegando lá passou uns dois meses, e depois disso não tivemos mais nenhum contato. Natalie, sua bisavó já havia falecido à alguns anos. Ela era muito sensível, pegou uma pneumonia gravíssima, e infelizmente faleceu. Com setenta anos, por aí, não me lembro bem.- É eu me lembro, papai falava dela. Sua mãe para ele era um exemplo. Ele a amava muito, e dizia sempre que queria que eu a amasse também. E foi dito e feito. Gostava tanto da minha bisa, mesmo quando pequena. Me lembro disso como se ontem hoje. Ficávamos juntas a tarde toda, ela adorava me contar histórias.- É, eu sei. Eu lembro como se fosse ontem também.- E meus avôs maternos? Onde estão?- A mamãe está super bem, mas não quer sair de Seattle por nada. Adora aquela cidade, eu não entendo o por que. Desde que nos mudamos para lá, não quer mais sair. Eu precisei me mudar, mas ela não quis vir morar comigo. Então ficou com minha prima Catrinna. Ela vivia lá também, e não se incomodou em morar com minha mãe, dona Richel, teimosa como seu avô paterno, filha, acredite. Somos todos uma família de teimosos, espero que não seja também.- Sou quando acho que tenho razão e devo ser.- Então é teimosa como nós, que maravilha. – Ela riu.- Não vou dar tanto trabalho, prometo. – Ri, junto com ela.- E o vô?- Quem?- Seu pai, mamãe. E ele?- Bom, filha. Seu avô se casou novamente, e novamente. Ele continua um garanhão, dava um trabalho que só vendo, viu? A mamãe ficava louca 
 
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quando ele voltava tarde para casa. Era tão engraçado aqueles dois. Mas teve um dia que a mamãe infelizmente ou felizmente cansou de tudo isso, e se divorciaram. Eu tinha sua idade mais ou menos.- Porque nunca me falou do vovô mesmo quando era mais nova?- Achei que não tinha necessidade. Agora que cresceu, entende melhor e pode me perguntar tudo sobre minha vida, e minha família, nunca vou te esconder nada.- Promete?- Palavra de escoteiro.- Escoteiro, mãe? Cruzes. – Ri, passando as páginas do álbum.- Qual o problema com a palavra escoteiro?- Nenhum problema com a palavra. Tem problema apenas com a época que estamos falando nela.- Como assim?- Faz no mínimo três anos que não ouço essa expressão.- Sério, é?- É. – Balancei a cabeça, rindo.- O.K, você venceu. Agora ganhou uma aluna, ainda vou tomar muito seu tempo e vai se arrepender de ficar me corrigindo desse jeito, dona Claricie. – Riu junto comigo.            Uma das empregadas da minha mãe chegou no quarto trazendo uma bandeja, e em cima dela uma xícara de chocolate quente. colocou na mesinha do lado da cama de Sara. Senti o cheiro, de imediato.- Nossa, parece estar gostoso mesmo! Você quem faz?- Eu e a Marina fazemos as sobremesas. – Estava um pouco tímida.- Qual o seu nome?- Carolinie.- Muito prazer Carolinie. Você com certeza já sabe quem sou, então… – Olhei de imediato para Sara, culpando-a, e rindo em seguida.- Sei sim, a uma semana atrás dona Sara falava tanto da senhorita que já estávamos todos cansado de ouvir esse nome, “Claricie”. – Ela sorriu, ajeitando o uniforme.- Senhorita não, pelo amor de Deus. Estamos em pleno século XXI, posso muito bem ser chamada pelo meu nome.- Tudo bem, Claricie.- Clar, tá?- Clar. – Repetiu um pouco sem jeito.- Não fique assim, daqui a uma semana já vamos estar bastante amigas, vai ver. – Ri.- Se você diz… – Ela sorriu. - Se vocês me dão licença vou continuar meu trabalho.- Claro que sim, desculpe, não queria te alugar.- Imagina, não se preocupe. Com licença dona Sara e Clar. – Saiu do quarto, fechando a porta devagar.- Ela é legal. – Falei para Sara, ajeitando-me na cama, pegando a xícara de chocolate que estava do meu lado.
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- É um amor, de uma família tão humilde, e é tão educada.
- É, percebi. Quantos empregados têm mãe? – Dei um gole no chocolate.- Nunca parei para contar.- São tantos assim?- Uns… – Parou um pouco. – Oito.- Sério?- Sim, sim.- Nossa hem?- Duas cozinheiras, um para cuidar da piscina, um para cuidar do jardim, três que cuidam da limpeza da casa, uma que arruma os quartos e uma governanta.- Mas você mora aqui sozinha, não é? Para quê tudo isso?- Trago sempre meus amigos em casa, sempre que posso. Minha irmã, que mora a três quadras daqui, sempre vem também. Mas lembre-se que agora não moro mais sozinha.- Ah verdade, claro. Mãe, porque não se casou de novo? Tem medo de se apaixonar, ou sei lá? - Não, filha. Me apaixonei várias vezes até. Umas três ou quatro, depois de seu pai. Mas não deu certo.- Está gostando de alguém? Seja sincera.- Não, não estou.- Seja sincera comigo. Tão linda, e nenhum pretendente?- Não seja exagerada. – Ela riu. – Bom, pretendentes sempre aparecem, não é? Mas agora estou focada no trabalho. No trabalho e a partir de hoje em você também, filhota.- Mas não ache tarde demais para se apaixonar.- Não se incomodaria com outro homem em casa se não for seu pai?- Meu pai não pode mais voltar aqui, dona Sara. Eu sei disso, você também sabe. Não vamos falar disso.- Me fez tantas perguntas, mas não respondeu uma que fiz.- Tudo bem, vamos responder seu questionário agora… Eu honestamente não sei como reagiria, mas tentaria estranhar o mínimo possível, até porque se ele estaria aqui dentro seria por que isso te faria feliz. Respondido?- Muito bem respondido. – Passou a mão no meu cabelo, enquanto acabo de olhar as fotos do álbum. – Tenho o maior orgulho de ter você como minha filha.- Não começa com seu roteiro de novela mexicana, vai. – Ri, abraçando-a e em seguida fechando o álbum que estava no meu colo e colocando-o de onde tirei. Deitei a cabeça no seu colo, e olhei pela janela. – Que horas, agora?- Já são cinco.- Nossa, o tempo voou. Eu já volto.- Onde vai?- Espera. – Levantei da cama, descendo as escadas até meu quarto. Abri ele, pegando o notebook de cima da escrivaninha e o levei até o quarto da minha mãe. Subi as escadas novamente, abri a porta do quarto sentando na cama. 
 
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- Sim, queria aproveitar um pouco. Algum problema mãe?
- Não, nenhum. Querida nós temos que falar de onde vai estudar. Próxima semana já começa as aulas em muitos colégios de Ensino Médio.
- Ah é verdade, qualquer um com ensino bom já está ótimo pra mim mãe, é sério. Não quero que gaste comigo.
- Eu faço questão de gastar com você o máximo que puder quando isso inclui sua educação e seus estudos. Você sabe que tenho boas condições, posso e quero sustentar você para o que precisar a partir de agora, não se preocupe em relação ao dinheiro. Não se preocupe em me pedir nada, precisando estarei aqui. Sou sua mãe, lembra?

- É eu sei, mas me sinto mal em dar despesas as pessoas, juro. Não quero te dar trabalho.
- Não vai dar trabalho nenhum, não é incomodo. Acredite filha. Troque essa roupa e suba para meu quarto, quero te mostrar uns álbuns de quando criança. E, claro, falar sobre qual colégio de Portland quer estudar. Tendo um bom ensino, se preciso pago o mais caro para você, e ponto final. Está resolvido, senhorita. – Subiu para seu quarto no segundo andar, me deixando na porta do meu. Entrei no quarto, sentei na cama, tirando os sapatos. Abri a bolsa que estava em meu colo, e olhei o celular. Troquei sua bateria, e liguei-o. Nenhuma ligação. Não entendia como eles não tinham ainda ligado para mim. Estava tão preocupada com eles, já morrendo de saudades, e não parecia recíproco. Mas talvez seja só uma impressão. Talvez o celular do André descarregou, ou estejam ocupados com alguma coisa, mas já estava realmente preocupada. Precisava ouvir aquela voz de novo para ficar em paz. Troquei de roupa em poucos minutos. Joguei o celular em cima da mesa da escrivaninha, me olhei no espelho ao lado, amarrando meu cabelo com uma liga. Coloquei uma blusa branca, e uma calça folgada cinza. E por fim peguei um dos lindos casacos que tinham no armário, e coloquei o mais simples. Abri o outro compartimento do guarda-roupa onde guardava meus novos sapatos, fiquei surpresa em ver tantos. Peguei uma pantufa de coelhinho, a coisa mais linda, e a coloquei. Tirei os brincos grandes em forma de “O” que estava usando, e os guardei na caixinha dentro do guarda-roupa. Corri para a varanda, vendo a chuva cair e então voltei para o quarto e fechei a porta junto com as cortinas. Saí do quarto, fechando a porta. Subi para o segundo andar, onde minha mãe ia estar me esperando. Bati na porta do seu quarto umas duas vezes, e então abriu.
- Esse é seu quarto?
- Acho que sim.
- Não acredito. Na casa da tia Solie dava uns quatro quartos só um desses. – Ri, observando cada detalhe. - E essa TV? Parece um telão de cinema! – Exagerei um pouco, olhando tudo com atenção. Sara riu, sentando na cama.
- Quer café, ou chocolate quente?
- Chocolate quente caia bem.
- O.K. – Pegou o telefone que estava grudado na parede ao seu lado, na

cama, e clicou em algum número. Estava meio confusa esperando o que ela    

 

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iria fazer. Talvez, pedir chocolate quente para a padaria daqui da frente? Ri em pensar isso. Se estivesse na casa dos meus tios, seria o máximo que fariamos. Sentei do lado dela na cama, me acomodando um pouco, vi os álbuns espalhados pela cama e abri um. Comecei a olhar as fotos e as lembranças vinham a minha mente todo o momento, eram fotos que eu não lembrava de jeito nenhum que elas nem se quer existiam. Mas era um sentimento bom… Muito bom. – Marina? Traz um chocolate quente para a Clar, por favor? Ela está aqui no meu quarto. Igualzinho ao que você faz para mim, O.K? Não demora. – Desligou o telefone e virou para meu lado, e me viu olhando aquelas fotos, viu minha expressão. - Nem se quer me esperou para vermos juntas, não é mocinha?
- Ah, desculpe mãe, foi muito tentador. Muito mesmo. – Inventei a primeira desculpa que veio à minha cabeça. Não queria que minha própria mãe pensasse que sou penetra, nem muito menos folgada.
- Tudo bem, no seu caso não resistiria também. Olhe, essa foto aí você tinha dois anos e meio. Foi na fazenda do seu bisavô Martin, ele já estava muito idoso. Tinha para lá de oitenta anos. Se não me engano, tem uma foto sua com ele ainda nesse álbum.
- Ele já faleceu?
- Acho que sim, perdemos o contato. Ele era muito teimoso, queria tanto sair de casa que conseguiu. Queria conhecer o sul da Flórida antes de morrer, e conseguiu. Chegando lá passou uns dois meses, e depois disso não tivemos mais nenhum contato. Natalie, sua bisavó já havia falecido à alguns anos. Ela era muito sensível, pegou uma pneumonia gravíssima, e infelizmente faleceu. Com setenta anos, por aí, não me lembro bem.
- É eu me lembro, papai falava dela. Sua mãe para ele era um exemplo. Ele a amava muito, e dizia sempre que queria que eu a amasse também. E foi dito e feito. Gostava tanto da minha bisa, mesmo quando pequena. Me lembro disso como se ontem hoje. Ficávamos juntas a tarde toda, ela adorava me contar histórias.
- É, eu sei. Eu lembro como se fosse ontem também.
- E meus avôs maternos? Onde estão?
- A mamãe está super bem, mas não quer sair de Seattle por nada. Adora aquela cidade, eu não entendo o por que. Desde que nos mudamos para lá, não quer mais sair. Eu precisei me mudar, mas ela não quis vir morar comigo. Então ficou com minha prima Catrinna. Ela vivia lá também, e não se incomodou em morar com minha mãe, dona Richel, teimosa como seu avô paterno, filha, acredite. Somos todos uma família de teimosos, espero que não seja também.
- Sou quando acho que tenho razão e devo ser.
- Então é teimosa como nós, que maravilha. – Ela riu.
- Não vou dar tanto trabalho, prometo. – Ri, junto com ela.
- E o vô?
- Quem?
- Seu pai, mamãe. E ele?
- Bom, filha. Seu avô se casou novamente, e novamente. Ele continua um garanhão, dava um trabalho que só vendo, viu? A mamãe ficava louca

 

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quando ele voltava tarde para casa. Era tão engraçado aqueles dois. Mas teve um dia que a mamãe infelizmente ou felizmente cansou de tudo isso, e se divorciaram. Eu tinha sua idade mais ou menos.
- Porque nunca me falou do vovô mesmo quando era mais nova?
- Achei que não tinha necessidade. Agora que cresceu, entende melhor e pode me perguntar tudo sobre minha vida, e minha família, nunca vou te esconder nada.
- Promete?
- Palavra de escoteiro.
- Escoteiro, mãe? Cruzes. – Ri, passando as páginas do álbum.
- Qual o problema com a palavra escoteiro?
- Nenhum problema com a palavra. Tem problema apenas com a época que estamos falando nela.
- Como assim?
- Faz no mínimo três anos que não ouço essa expressão.
- Sério, é?
- É. – Balancei a cabeça, rindo.
- O.K, você venceu. Agora ganhou uma aluna, ainda vou tomar muito seu tempo e vai se arrepender de ficar me corrigindo desse jeito, dona Claricie. – Riu junto comigo.
            Uma das empregadas da minha mãe chegou no quarto trazendo uma bandeja, e em cima dela uma xícara de chocolate quente. colocou na mesinha do lado da cama de Sara. Senti o cheiro, de imediato.
- Nossa, parece estar gostoso mesmo! Você quem faz?
- Eu e a Marina fazemos as sobremesas. – Estava um pouco tímida.
- Qual o seu nome?
- Carolinie.
- Muito prazer Carolinie. Você com certeza já sabe quem sou, então… – Olhei de imediato para Sara, culpando-a, e rindo em seguida.
- Sei sim, a uma semana atrás dona Sara falava tanto da senhorita que já estávamos todos cansado de ouvir esse nome, “Claricie”. – Ela sorriu, ajeitando o uniforme.
- Senhorita não, pelo amor de Deus. Estamos em pleno século XXI, posso muito bem ser chamada pelo meu nome.
- Tudo bem, Claricie.
- Clar, tá?
- Clar. – Repetiu um pouco sem jeito.
- Não fique assim, daqui a uma semana já vamos estar bastante amigas, vai ver. – Ri.
- Se você diz… – Ela sorriu. - Se vocês me dão licença vou continuar meu trabalho.
- Claro que sim, desculpe, não queria te alugar.
- Imagina, não se preocupe. Com licença dona Sara e Clar. – Saiu do quarto, fechando a porta devagar.
- Ela é legal. – Falei para Sara, ajeitando-me na cama, pegando a xícara de chocolate que estava do meu lado.

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- É um amor, de uma família tão humilde, e é tão educada.

- É, percebi. Quantos empregados têm mãe? – Dei um gole no chocolate.
- Nunca parei para contar.
- São tantos assim?
- Uns… – Parou um pouco. – Oito.
- Sério?
- Sim, sim.
- Nossa hem?
- Duas cozinheiras, um para cuidar da piscina, um para cuidar do jardim, três que cuidam da limpeza da casa, uma que arruma os quartos e uma governanta.
- Mas você mora aqui sozinha, não é? Para quê tudo isso?
- Trago sempre meus amigos em casa, sempre que posso. Minha irmã, que mora a três quadras daqui, sempre vem também. Mas lembre-se que agora não moro mais sozinha.
- Ah verdade, claro. Mãe, porque não se casou de novo? Tem medo de se apaixonar, ou sei lá?
- Não, filha. Me apaixonei várias vezes até. Umas três ou quatro, depois de seu pai. Mas não deu certo.
- Está gostando de alguém? Seja sincera.
- Não, não estou.
- Seja sincera comigo. Tão linda, e nenhum pretendente?
- Não seja exagerada. – Ela riu. – Bom, pretendentes sempre aparecem, não é? Mas agora estou focada no trabalho. No trabalho e a partir de hoje em você também, filhota.
- Mas não ache tarde demais para se apaixonar.
- Não se incomodaria com outro homem em casa se não for seu pai?
- Meu pai não pode mais voltar aqui, dona Sara. Eu sei disso, você também sabe. Não vamos falar disso.
- Me fez tantas perguntas, mas não respondeu uma que fiz.
- Tudo bem, vamos responder seu questionário agora… Eu honestamente não sei como reagiria, mas tentaria estranhar o mínimo possível, até porque se ele estaria aqui dentro seria por que isso te faria feliz. Respondido?
- Muito bem respondido. – Passou a mão no meu cabelo, enquanto acabo de olhar as fotos do álbum. – Tenho o maior orgulho de ter você como minha filha.
- Não começa com seu roteiro de novela mexicana, vai. – Ri, abraçando-a e em seguida fechando o álbum que estava no meu colo e colocando-o de onde tirei. Deitei a cabeça no seu colo, e olhei pela janela. – Que horas, agora?
- Já são cinco.
- Nossa, o tempo voou. Eu já volto.
- Onde vai?
- Espera. – Levantei da cama, descendo as escadas até meu quarto. Abri ele, pegando o notebook de cima da escrivaninha e o levei até o quarto da minha mãe. Subi as escadas novamente, abri a porta do quarto sentando na cama.

 

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Observando-a em cada traço, lembrei de como tudo era feliz antes. Meus pais se amavam muito, era um casal perfeito em meu ponto de vista. Minha vida também era perfeita. Tinha muitos amigos, em especial o André, mas já sabe não é? Como já disse antes, ele era bem mais que um amigo, um irmão. Mas eu tinha muitos amigos sim. Na escola, era tudo ótimo. Me lembro vagamente quando mudei de colégio, não conhecia ninguém, era o primeira dia de aula. Tinha uns seis anos, não sei direito. Entrei ali e meia hora depois estava brincando com todas as crianças como se fossem amigos de anos. Era tão mais fácil lidar com as pessoas, era tão mais fácil pela inocência que invadia cada criança naquele lugar. Não sofríamos por nada, não existia motivo. Na verdade existia, mas não enxergávamos. Não nos permitiam enxergar, ou talvez até nos poupavam de ver. Era uma vida perfeita. Não estou reclamando da que tenho agora, mas agora é tudo completamente diferente. Não tenho mais inocência em certos pontos, não me poupam da verdade para que não sofra. Mas também não peço que me escondam. Preciso saber o que na realidade aconteceu, acontece e acontecerá na minha vida para viver tudo intensamente e principalmente, de verdade. Pensando nisso, tive uma idéia concreta sobre o que mais odiava na vida, a mentira. Se existe mesmo alguma coisa que não perdoe, seria ela.- Bom, então eu me mudei para cá, acabei meu curso de marketing, consegui 
 
                                                                                                                              10
   um emprego numa empresa e cresci dentro dela. Me deram o cargo de gerente da empresa de marketing mais famosa de Portland. É tudo ótimo aqui, nunca mais parei para reclamar da vida que Deus tem me dado. Até dois dias atrás faltava algo, mas agora não falta. Tenho meu bem mais precioso comigo nesse momento. Definitivamente não tenho do que reclamar. – Ela sorriu.   Sorri, olhando para ela com um olhar de admiração. Levantei da cadeira rapidamente e a abracei forte. – Mãe…- Oi meu anjo.- Senti sua falta. – Deixei uma lágrima cair, enquanto estava com os joelhos no chão, abraçando-a. Agora eu estava feliz, realmente feliz. Não há ninguém que substitua um abraço e um carinho de mãe. Pensei em ser dura com ela por ter me deixado com meu pai sem se despedir, mas agora eu entendo e tudo faz sentido. Tudo bem que nada justifica um abandono de um filho desta forma, mas foi uma atitude não-pensada. E foi nesse abraço que eu realmente a perdoei.- Você não tem idéia do quanto é bom ouvir isso de você, amor. Não tem mesmo. – Falou Sara enquanto eu levantava dali.- Droga, todo mundo olhou. – Falei, rindo.- Não se preocupe com os outros. Besteira. – Ela riu junto comigo. – Acabamos?- Acho que sim, vamos?- Agora. – Sara pediu a conta enquanto eu levantava para ir ao banheiro. Cheguei lá, olhando-me no espelho, peguei o batom de dentro da bolsa e passei. Arrumei meu cabelo, recolocando a tiara que estava nele. Respirei fundo olhando para mim no espelho, e sorri. Voltei para a mesa, e esperei Sara se levantar, fomos até a porta do restaurante, saindo dali.- É, tinha razão, a comida é ótima. Super aprovado. – Sorri.- Gostou mesmo?- Claro. - E agora?- O quê?- O que vem na sua lista?- Não tenho lista nenhuma. – Eu ri.- Sério? Quando eu tinha sua idade fazia uma lista de onde ir todos os dias, era divertido para mim.- Pois é, hoje em dia não fazem mais isso. – Falei, debochando.- Nossa, me senti uma velhinha desatualizada. – Riu junto comigo. – Para onde quer ir?- Tirou o dia para mim? – Falei surpresa. – Pensei que tinha compromissos.- Cancelei, até aparecer alguma emergência. – Falou Sara, sorrindo. Agora estávamos na porta do carro, entramos nele, trancando as portas. - Ih, começou a chover de novo. Aqui é sempre assim?- Não sempre, mas essa semana tem chovido muito. Não gosta muito de chuva não é?- Eu me acostumo. – Sorri. Colocamos o sinto, em silêncio, até o celular de Sara tocar.- Oi, Steph! Como está? Já comentaram por aí? – Ela riu. Fiquei com cara de desentendida, esperando Sara me falar algo. – Todos no trabalho já sabem que 
 
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   você veio morar comigo, se espalhou rápido. A Steph é uma amiga que gerencia a empresa comigo. – Cochichou comigo, ao me ver curiosa. Sorri enquanto elas se falavam no celular. – Claro que pode vir! Amanhã? Tudo bem, mas e os meninos? Ah, ainda estão de férias? O.K pode trazê-los aqui em casa para almoçarmos todos juntos. Imagina, incomodo nenhum! Vai ser até bom para a Clar, conversar com gente da mesma idade. Tudo bem querida, um abraço, vamos estar esperando.- Já estou famosa por lá? – Falei, rindo.- É, falei para alguns amigos que você estaria chegando hoje, estava empolgada, sabe como é. A Stephanie vem almoçar conosco amanhã, tudo bem?- Sim, ótimo. Por mim tudo bem.- Vai trazer os meninos para almoçar conosco também, é até bom para você conhecer o “clubinho”. – Disse Sara, fazendo uma careta, rindo. Liguei o carro, tirando-o dali. Entrei na pista novamente, indo para casa. Tirei o casaco e coloquei no colo, colocando minha bolsa no banco de trás.- Que meninos? Que clubinho? – Falei, rindo. - Os gêmeos, filhos da Steph. O clubinho, ora mais. - O clubinho, mãe? Não posso acreditar que disse isso. – Ri, sem tirar os olhos da rua, prestando atenção por onde estava. – É nesta rua não é? Não me lembro bem.- Não é clubinho que se diz? É duas ruas depois dessa.- Galera, grupinho, qualquer coisa menos clubinho. Clubinho não, jamais. – Ri, observando por onde passava.- Claro, eu já sabia O.K? – Falou, tentando esconder sua total falta de prática com conversas adolescentes.- Não, não sabia não. – Olhei para ela rapidamente com cara de que não fui convencida. – Mas não se preocupe vou te ensinar muito dessas coisas ainda, não fique vermelhinha. – Encerrei o assunto, segurando o riso.- Não estou vermelha.- É… está sim. Mas não fique, sério. – Fiz um sorriso forçado.- Estou mesmo? – Sara disse, tirando um espelho de dentro da bolsa e se olhando.- Relevante – Ri, entrando na rua de casa. Buzinei para alguém abrir o portão. Então nós entramos e estacionei o carro na garagem. – Esqueça isso vai, que besteira mamãe.- Estou envergonhada, deveria ter treinado mais, que chato. – Falou, rindo.- Treinou para poder falar comigo?- Um pouco…- Não acredito, que boba. Ainda sei falar nossa língua, sabia?- Sei sim. Mas vai ficar cansada de tanto me ouvir falando formalmente. Passo maior tempo do dia no trabalho e lá temos que falar até com estrangeiros.- Sabe falar outras línguas? – Disse, surpresa.- Tive que aprender.- Que ótimo. Mas… Sobre sua tentativa falha sobre falar com adolescentes, está indo até bem, continue assim. – Falei, zombando. Saí do carro, fechando a porta e ativando o alarme.- Ah obrigada, professora. Quer realmente ficar em casa?
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Observando-a em cada traço, lembrei de como tudo era feliz antes. Meus pais se amavam muito, era um casal perfeito em meu ponto de vista. Minha vida também era perfeita. Tinha muitos amigos, em especial o André, mas já sabe não é? Como já disse antes, ele era bem mais que um amigo, um irmão. Mas eu tinha muitos amigos sim. Na escola, era tudo ótimo. Me lembro vagamente quando mudei de colégio, não conhecia ninguém, era o primeira dia de aula. Tinha uns seis anos, não sei direito. Entrei ali e meia hora depois estava brincando com todas as crianças como se fossem amigos de anos. Era tão mais fácil lidar com as pessoas, era tão mais fácil pela inocência que invadia cada criança naquele lugar. Não sofríamos por nada, não existia motivo. Na verdade existia, mas não enxergávamos. Não nos permitiam enxergar, ou talvez até nos poupavam de ver. Era uma vida perfeita. Não estou reclamando da que tenho agora, mas agora é tudo completamente diferente. Não tenho mais inocência em certos pontos, não me poupam da verdade para que não sofra. Mas também não peço que me escondam. Preciso saber o que na realidade aconteceu, acontece e acontecerá na minha vida para viver tudo intensamente e principalmente, de verdade. Pensando nisso, tive uma idéia concreta sobre o que mais odiava na vida, a mentira. Se existe mesmo alguma coisa que não perdoe, seria ela.
- Bom, então eu me mudei para cá, acabei meu curso de marketing, consegui

 

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   um emprego numa empresa e cresci dentro dela. Me deram o cargo de gerente da empresa de marketing mais famosa de Portland. É tudo ótimo aqui, nunca mais parei para reclamar da vida que Deus tem me dado. Até dois dias atrás faltava algo, mas agora não falta. Tenho meu bem mais precioso comigo nesse momento. Definitivamente não tenho do que reclamar. – Ela sorriu.
   Sorri, olhando para ela com um olhar de admiração. Levantei da cadeira rapidamente e a abracei forte. – Mãe…
- Oi meu anjo.
- Senti sua falta. – Deixei uma lágrima cair, enquanto estava com os joelhos no chão, abraçando-a. Agora eu estava feliz, realmente feliz. Não há ninguém que substitua um abraço e um carinho de mãe. Pensei em ser dura com ela por ter me deixado com meu pai sem se despedir, mas agora eu entendo e tudo faz sentido. Tudo bem que nada justifica um abandono de um filho desta forma, mas foi uma atitude não-pensada. E foi nesse abraço que eu realmente a perdoei.
- Você não tem idéia do quanto é bom ouvir isso de você, amor. Não tem mesmo. – Falou Sara enquanto eu levantava dali.
- Droga, todo mundo olhou. – Falei, rindo.
- Não se preocupe com os outros. Besteira. – Ela riu junto comigo. – Acabamos?
- Acho que sim, vamos?
- Agora. – Sara pediu a conta enquanto eu levantava para ir ao banheiro. Cheguei lá, olhando-me no espelho, peguei o batom de dentro da bolsa e passei. Arrumei meu cabelo, recolocando a tiara que estava nele. Respirei fundo olhando para mim no espelho, e sorri. Voltei para a mesa, e esperei Sara se levantar, fomos até a porta do restaurante, saindo dali.
- É, tinha razão, a comida é ótima. Super aprovado. – Sorri.
- Gostou mesmo?
- Claro.
- E agora?
- O quê?
- O que vem na sua lista?
- Não tenho lista nenhuma. – Eu ri.
- Sério? Quando eu tinha sua idade fazia uma lista de onde ir todos os dias, era divertido para mim.
- Pois é, hoje em dia não fazem mais isso. – Falei, debochando.
- Nossa, me senti uma velhinha desatualizada. – Riu junto comigo. – Para onde quer ir?
- Tirou o dia para mim? – Falei surpresa. – Pensei que tinha compromissos.
- Cancelei, até aparecer alguma emergência. – Falou Sara, sorrindo. Agora estávamos na porta do carro, entramos nele, trancando as portas.
- Ih, começou a chover de novo. Aqui é sempre assim?
- Não sempre, mas essa semana tem chovido muito. Não gosta muito de chuva não é?
- Eu me acostumo. – Sorri. Colocamos o sinto, em silêncio, até o celular de Sara tocar.
- Oi, Steph! Como está? Já comentaram por aí? – Ela riu. Fiquei com cara de desentendida, esperando Sara me falar algo. – Todos no trabalho já sabem que

 

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   você veio morar comigo, se espalhou rápido. A Steph é uma amiga que gerencia a empresa comigo. – Cochichou comigo, ao me ver curiosa. Sorri enquanto elas se falavam no celular. – Claro que pode vir! Amanhã? Tudo bem, mas e os meninos? Ah, ainda estão de férias? O.K pode trazê-los aqui em casa para almoçarmos todos juntos. Imagina, incomodo nenhum! Vai ser até bom para a Clar, conversar com gente da mesma idade. Tudo bem querida, um abraço, vamos estar esperando.
- Já estou famosa por lá? – Falei, rindo.
- É, falei para alguns amigos que você estaria chegando hoje, estava empolgada, sabe como é. A Stephanie vem almoçar conosco amanhã, tudo bem?
- Sim, ótimo. Por mim tudo bem.
- Vai trazer os meninos para almoçar conosco também, é até bom para você conhecer o “clubinho”. – Disse Sara, fazendo uma careta, rindo. Liguei o carro, tirando-o dali. Entrei na pista novamente, indo para casa. Tirei o casaco e coloquei no colo, colocando minha bolsa no banco de trás.
- Que meninos? Que clubinho? – Falei, rindo.
- Os gêmeos, filhos da Steph. O clubinho, ora mais.
- O clubinho, mãe? Não posso acreditar que disse isso. – Ri, sem tirar os olhos da rua, prestando atenção por onde estava. – É nesta rua não é? Não me lembro bem.
- Não é clubinho que se diz? É duas ruas depois dessa.
- Galera, grupinho, qualquer coisa menos clubinho. Clubinho não, jamais. – Ri, observando por onde passava.
- Claro, eu já sabia O.K? – Falou, tentando esconder sua total falta de prática com conversas adolescentes.
- Não, não sabia não. – Olhei para ela rapidamente com cara de que não fui convencida. – Mas não se preocupe vou te ensinar muito dessas coisas ainda, não fique vermelhinha. – Encerrei o assunto, segurando o riso.
- Não estou vermelha.
- É… está sim. Mas não fique, sério. – Fiz um sorriso forçado.
- Estou mesmo? – Sara disse, tirando um espelho de dentro da bolsa e se olhando.
- Relevante – Ri, entrando na rua de casa. Buzinei para alguém abrir o portão. Então nós entramos e estacionei o carro na garagem. – Esqueça isso vai, que besteira mamãe.
- Estou envergonhada, deveria ter treinado mais, que chato. – Falou, rindo.
- Treinou para poder falar comigo?
- Um pouco…
- Não acredito, que boba. Ainda sei falar nossa língua, sabia?
- Sei sim. Mas vai ficar cansada de tanto me ouvir falando formalmente. Passo maior tempo do dia no trabalho e lá temos que falar até com estrangeiros.
- Sabe falar outras línguas? – Disse, surpresa.
- Tive que aprender.
- Que ótimo. Mas… Sobre sua tentativa falha sobre falar com adolescentes, está indo até bem, continue assim. – Falei, zombando. Saí do carro, fechando a porta e ativando o alarme.
- Ah obrigada, professora. Quer realmente ficar em casa?

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